Esperança
Spes
Virtude PrincipalA virtude
Esperança (Spes, QQ. 17–22) — a confiança firme de que Deus concederá a vida eterna e os meios para alcançá-la. Não é otimismo vago: é a orientação da alma para um bem futuro, árduo mas possível, apoiada no auxílio divino.
Confiança
De menos = desespero; demais = presunção
Virtude
Esperança
Spes
Defeito (falta)
Desespero
Desperatio
Abandonar a confiança na misericórdia de Deus. O desesperado julga que seu mal é maior do que a bondade divina — o que é, implicitamente, uma negação do poder de Deus. Tomás a considera um dos pecados mais perigosos, porque remove o freio que impede os outros pecados.
Excesso (demasia)
Presunção
Praesumptio
Esperar a salvação sem mérito, sem arrependimento, ou sem os meios ordenados por Deus. Duas formas: (1) presumir da própria capacidade, como se a graça fosse desnecessária; (2) presumir da misericórdia divina, como se o arrependimento fosse dispensável. Ambas distorcem a natureza da Esperança, que é confiança em Deus, não em si.
Observações
Desespero = abandonar a confiança na misericórdia de Deus. Presunção = esperar a salvação sem mérito ou arrependimento. Par clássico de defeito/excesso.
A privação do Bem
O desespero e a presunção dependem da mesma capacidade de se voltar ao futuro divino — que é matéria da Esperança. Um abandona o horizonte; o outro o reivindica sem fundamento. Nenhum inventa um futuro próprio; ambos parasitam o único futuro real.