Caridade
Caritas
Virtude PrincipalA virtude
Caridade (Caritas, QQ. 23–46) — o amor de amizade com Deus e, por extensão, com o próximo por amor a Deus. É a forma de todas as virtudes (forma virtutum, Q. 23, a. 8): sem caridade, nenhuma outra virtude é plenamente virtuosa. É a única virtude que não tem excesso — não se pode amar a Deus demais.
Amor
Só defeito — não se pode amar Deus demais
Virtude
Caridade
Caritas
Defeito (falta)
Ódio / Indiferença a Deus
Odium Dei
A rejeição direta de Deus como bem supremo. Inclui o ódio formal a Deus (raro) e a indiferença prática (comum): viver como se Deus não existisse.
Excesso (demasia)
— (nenhum excesso possível)
Para Tomás, é literalmente impossível amar a Deus demais. Todos os vícios sob a Caridade são formas de defeito — falha em amar retamente, não amor excessivo.
Outros vícios por defeito sob a Caridade
Acédia / Preguiça espiritual (Acedia, Q. 35)
A tristeza diante do bem divino. Não é preguiça física, mas a recusa interior de se alegrar com Deus e com as coisas de Deus.
Inveja (Invidia, Q. 36)
A tristeza diante do bem do próximo. É o anti-amor por excelência: onde a caridade se alegra com o bem alheio, a inveja se entristece.
Discórdia (Discordia, Q. 37)
A desunião voluntária de vontades, oposta à Paz.
Contenda (Contentio, Q. 38)
Atacar a verdade alheia com palavras, por espírito combativo.
Cisma (Schisma, Q. 39)
Recusar-se a submeter à unidade da Igreja.
Escândalo (Scandalum, Q. 43)
Oferecer ocasião de queda espiritual ao próximo por palavra ou ação.
Virtudes associadas à Caridade
Alegria (Gaudium, Q. 28)
O fruto interior da caridade.
Paz (Pax, Q. 29)
A tranquilidade da ordem, fruto da união de vontades.
Misericórdia (Misericordia, Q. 30)
A compaixão diante do sofrimento alheio, acompanhada do desejo de aliviá-lo.
Beneficência (Beneficentia, Q. 31)
Fazer o bem ao próximo.
Esmola (Eleemosyna, Q. 32)
Partilhar bens com quem necessita.
Correção fraterna (Correctio fraterna, Q. 33)
Corrigir o irmão com caridade.
Observações
Para Tomás, é literalmente impossível amar a Deus demais. Os 'vícios' sob a Caridade (acédia (preguiça espiritual), inveja) são formas de defeito — falha em amar retamente, não amor excessivo.
A privação do Bem
O ódio e a indiferença dependem da mesma capacidade de amar — que é matéria da Caridade. Todo vício sob ela é defeito: formas de não amar, que só se definem em contraste com o amor que recusam. O Amor não tem teto; por isso não há excesso.